Flávio larga 2.224.965 votos à frente
Com 100% das seções totalizadas, Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.503 votos e Lula 53.879.538. A diferença é de 2.224.965 votos, ou 1,87 ponto percentual dos votos válidos. O segundo turno será em 25 de outubro.
Os ausentes do primeiro turno são cerca de 15 vezes a diferença entre os finalistas. Os votos dados a candidaturas eliminadas são cerca de 4,2 vezes essa diferença.
SP, MG, RJ, BA e PR concentram 52,45% do eleitorado
Os cinco maiores colégios eleitorais formam um recorte útil porque combinam massa eleitoral e capacidade de produzir margens de milhões de votos. No primeiro turno, Flávio terminou à frente em São Paulo, Minas, Rio e Paraná; Lula terminou à frente na Bahia.
Primeiro turno de 2026 nos cinco estados-chave
F = Flávio; L = Lula. Percentuais dos votos válidos. Fonte: apuração do TSE compilada nas páginas de resultados do UOL.
Minas merece atenção adicional: além de ser o segundo maior colégio, o primeiro colocado no estado coincidiu com o vencedor nacional em todas as eleições presidenciais de 1989 a 2022. Isso é uma correlação histórica, não uma regra causal.
O que prefeitura, vereança e Legislativo acrescentam ao mapa
O recorte municipal de 2024 mostrou três comportamentos diferentes. Rio e Curitiba exibem persistência territorial; São Paulo e Belo Horizonte mostram deslocamentos mensuráveis; Salvador mostra que força municipal e voto presidencial podem coexistir sem transferência automática.
Em São Paulo, Lucas Pavanato passou de 161.386 votos para vereador em 2024 para 3.038.438 votos para deputado federal em 2026. Em Minas, Bruno Engler — derrotado para a prefeitura de Belo Horizonte em 2024 — tornou-se o deputado estadual mais votado do estado em 2026, enquanto Pablo Almeida escalou de liderança na vereança de BH para uma das maiores votações estaduais.
Esses movimentos não autorizam atribuir voto presidencial automaticamente. Eles servem para medir capilaridade, persistência e capacidade de escala de redes políticas.
A abstenção de primeiro turno sobe em todas as presidenciais desde 2006
Em 2026, 33.469.244 eleitores não compareceram, ou 21,08% do eleitorado apto. É o maior número absoluto e a maior taxa desde 1998. O ponto estrutural é a trajetória: depois do piso de 16,75% em 2006, a taxa aumentou em 2010, 2014, 2018, 2022 e 2026.
Isso não significa que a abstenção sempre aumente entre o primeiro e o segundo turno. Em 2022 ocorreu o contrário: ela caiu de aproximadamente 20,95% para 20,59%, trazendo cerca de meio milhão de eleitores adicionais para a votação decisiva.
A evidência sugere que o risco de abstenção não é politicamente neutro
O perfil detalhado de todos os abstêmios de 2026 ainda não está consolidado em uma base pública final. Há, porém, sinais convergentes. Em 2022, a abstenção foi maior entre pessoas de baixa escolaridade, jovens e idosos — especialmente acima de 70 anos, quando o voto é facultativo. Pesquisas de 2026 mostravam Lula com desempenho relativamente melhor entre baixa renda, ensino fundamental, jovens e eleitores mais velhos.
Uma pesquisa Nexus/BTG de junho oferece um teste particularmente útil. No conjunto do eleitorado, Lula aparecia 47% a 44% contra Flávio. Entre entrevistados que disseram ter comparecido tanto em 2018 quanto em 2022, a diferença caía para 47% a 46%. Entre quem declarou ter votado em apenas uma das duas eleições, Lula aparecia com 55% a 32%. O instituto ressalvou que isso não era um modelo formal de “likely voters”, mas o cruzamento indica que o eleitorado de comparecimento irregular tinha maior inclinação declarada a Lula naquele momento.
Depois do primeiro turno, o cientista político Eduardo Grin, da FGV, avaliou que a abstenção de 21% prejudicou especialmente Lula, citando idosos, população de baixa renda e jovens. Essa é uma interpretação analítica — não uma identificação individual da motivação dos 33,47 milhões de ausentes.
Os 9,317 milhões de votos dos eliminados são principalmente um problema de transferência. Os 33,469 milhões de ausentes são primeiro um problema de comparecimento. Tratar os dois grupos como um único “estoque de votos” distorce a análise.
Em sete segundos turnos presidenciais desde 1989, não houve virada
Nas sete eleições presidenciais brasileiras que chegaram ao segundo turno desde 1989 — 1989, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022 — o candidato que terminou o primeiro turno em primeiro também venceu a rodada final. Em 1994 e 1998, Fernando Henrique Cardoso venceu já no primeiro turno.
| Ano | Líder no 1º turno | Resultado final |
|---|---|---|
| 1989 | Collor | venceu o 2º turno |
| 2002 | Lula | venceu o 2º turno |
| 2006 | Lula | venceu o 2º turno |
| 2010 | Dilma Rousseff | venceu o 2º turno |
| 2014 | Dilma Rousseff | venceu o 2º turno |
| 2018 | Jair Bolsonaro | venceu o 2º turno |
| 2022 | Lula | venceu o 2º turno |
O histórico é relevante como contexto, mas não funciona como lei estatística: são apenas sete observações sob ambientes eleitorais diferentes. Em 2026, a vantagem de primeiro turno — 1,87 ponto — é menor que a diferença de 5,23 pontos observada entre Lula e Jair Bolsonaro em 2022.
Quanto Lula precisa recuperar — e quanto Flávio precisa preservar
O modelo abaixo fixa três simplificações: os votos de Flávio e Lula do primeiro turno são integralmente retidos; os 9,316 milhões de votos dos eliminados são redistribuídos entre os dois; e a variável de comparecimento é expressa como saldo líquido adicional pró-Lula. Valores negativos significam mobilização líquida pró-Flávio.
Saldo final = vantagem inicial de Flávio + saldo dos votos transferidos + diferença líquida de comparecimento.
Quanto Lula precisaria dos votos dos eliminados para empatar
| Saldo líquido de comparecimento pró-Lula | Participação de Lula entre os 9,317 mi | Participação de Flávio |
|---|---|---|
| −1,0 milhão | 67,31% | 32,69% |
| −0,5 milhão | 64,62% | 35,38% |
| 0 | 61,94% | 38,06% |
| +0,57 milhão | 58,88% | 41,12% |
| +1,0 milhão | 56,57% | 43,43% |
| +1,5 milhão | 53,89% | 46,11% |
| +2,0 milhões | 51,21% | 48,79% |
| +2,225 milhões | 50,00% | 50,00% |
O ponto de +0,57 milhão é incluído porque aproximadamente essa foi a elevação de comparecimento entre o primeiro e o segundo turno de 2022. Mesmo num exercício extremo em que todo esse saldo adicional fosse pró-Lula, ele ainda precisaria de aproximadamente 58,9% dos votos dos eliminados para chegar ao empate.
Cenários ilustrativos para a margem final
- Flávio preserva aproximadamente 2,225 milhões de vantagem.
- É o cenário neutro do modelo, não uma previsão.
- A margem final chegaria a aproximadamente 3 milhões para Flávio.
- A margem final chegaria a aproximadamente 4 milhões para Flávio.
- O modelo chega aproximadamente ao empate.
- O modelo chega aproximadamente ao empate.
- Flávio ainda preservaria cerca de 225 mil votos de vantagem.
Dois caminhos matemáticos, uma variável decisiva: mobilização
Flávio começa com uma vantagem observada de 2,225 milhões de votos. Se o comparecimento relativo dos dois eleitorados permanecer parecido com o primeiro turno e a transferência dos eliminados ficar próxima de 50/50, essa vantagem é preservada pelo próprio desenho aritmético.
O caminho de Lula exige recuperar saldo. Sem mudança líquida de comparecimento, o ponto de equilíbrio está em aproximadamente 61,94% dos votos dos candidatos eliminados. Se houver mobilização líquida pró-Lula de 1 milhão de votos, esse limiar cai para 56,57%; com 1,5 milhão, para 53,89%.
A abstenção é a principal fonte de incerteza do modelo. A evidência disponível sugere que vários grupos de maior risco de não comparecimento coincidem com segmentos em que Lula vinha performando relativamente melhor. Isso significa que uma redução seletiva da abstenção pode diminuir a vantagem de Flávio. Não significa que os 33,47 milhões de ausentes sejam “votos de Lula”.
O histórico favorece a posição de quem lidera o primeiro turno apenas no sentido descritivo: não houve virada em sete segundos turnos presidenciais desde 1989. A amostra histórica é pequena e não substitui os dados de 2026.
A forma tecnicamente correta de acompanhar a eleição até 25 de outubro é observar três variáveis separadas: retenção dos 110 milhões de votos já dados aos finalistas, divisão dos 9,317 milhões de votos dos eliminados e diferença de comparecimento entre os dois eleitorados. Qualquer narrativa que ignore uma dessas três peças está incompleta.
Documentos e levantamentos consultados
- TSE — Flávio Bolsonaro e Lula vão disputar o 2º turnoResultado nacional, votos válidos, brancos e nulos.
- TSE — eleitorado de 2026158,745 milhões de eleitores aptos e evolução desde 2022.
- UOL — histórico de abstençõesSérie histórica e taxa de 2026.
- Folha — perfil e geografia da abstenção de 2026Estados com maior e menor abstenção e perfis observados em 2022.
- CNN Brasil — Nexus/BTG e regularidade de comparecimento47×46 entre eleitores regulares; 55×32 entre quem faltou a uma das duas eleições anteriores.
- CNN Brasil — análise de Eduardo Grin (FGV)Interpretação pós-primeiro turno sobre idosos, baixa renda e jovens.
- Datafolha/Folha — recortes por idade, renda e escolaridadePesquisa anterior ao primeiro turno; usada apenas para caracterização agregada.
- UOL — histórico dos segundos turnos presidenciaisSete disputas desde 1989, sem virada do segundo colocado.
- UOL — resultados em grandes colégiosSão Paulo, Rio de Janeiro e comparação dos redutos eleitorais.
- UOL/TSE — Minas Gerais48,24% para Flávio e 43,33% para Lula.
- UOL/TSE — Bahia66,17% para Lula e 28,53% para Flávio.
- UOL/TSE — Paraná59,91% para Flávio e 31,20% para Lula.
Última verificação: 5 de outubro de 2026, 17h37, horário de Brasília. Conteúdo independente, sem pedido de voto. Cenários apresentados são exercícios aritméticos e não previsões eleitorais.